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	<title>Marcos Morita - Educação Corporativa &#187; Brasil</title>
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	<description>Site para apresentacão e discussão de teorias sobre estratégias empresariais aplicadas ao dia-a-dia das empresas. Dirigido a empresários, executivos e estudantes.</description>
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		<title>USP: a falta de objetivo dos movimentos estudantis</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Nov 2011 18:16:04 +0000</pubDate>
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Acredito que o dramalhão mexicano, envolvendo mais uma vez estudantes ocupando o prédio da reitoria na Universidade de São Paulo, já tenha cansado até os mais ferrenhos defensores dos movimentos estudantis, os quais, diga-se de passagem, há muito tempo carecem de objetivos e causas nobres para defenderem. 
Sou nascido no ano da batalha da Rua [...]


Não há artigos relacionados.]]></description>
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<p>Acredito que o dramalhão mexicano, envolvendo mais uma vez estudantes ocupando o prédio da reitoria na Universidade de São Paulo, já tenha cansado até os mais ferrenhos defensores dos movimentos estudantis, os quais, diga-se de passagem, há muito tempo carecem de objetivos e causas nobres para defenderem. </p>
<p>Sou nascido no ano da batalha da Rua Maria Antônia, a qual resultou de conflitos entre estudantes do Mackenzie e do curso de Filosofia da USP. Cresci numa época com pouca liberdade de expressão, o que nem por isso impossibilitou movimentos como as Diretas Já, levando centenas de milhares de pessoas as ruas, numa época sem redes sociais ou Twitter para organizá-los. </p>
<p>Como jovem adulto, acompanhei de longe o movimento dos Caras Pintadas na Paulista, uma vez que já estagiava em uma grande instituição financeira nesta mesma avenida. A vontade de mudar e lutar por um mundo melhor e mais justo era grande, e por pouco não me juntei à multidão, largando meus afazeres de estagiário.</p>
<p>O tempo passa mesmo rápido. Há alguns meses estava lendo as manchetes do estudante assassinado no estacionamento da FEA-USP. Imediatamente surgiu em minha memória situação idêntica vivida há mais de quinze anos atrás. Exatamente no mesmo local e na mesma situação fui vítima de um sequestro relâmpago, o qual ainda me traz algum incômodo em revivê-la.</p>
<p>Pude sentir a angústia vivida por aquela família, assim como senti uma ponta de esperança quando do acordo firmado com a Polícia Militar, cuja presença chegava com pelo menos uma década de atraso. Inúmeros furtos, roubos, sequestros e estupros poderiam ter sido evitados neste ínterim, não fosse à discussão ideológica sobre a liberdade no Campus e o papel repressor da força pública. </p>
<p>Os conceitos de proletariado, luta de classes, opressão, propriedade privada, meios de produção, revolução industrial, alienação do trabalho, burguesia e divisão de classes, utilizados como bordões por alguns destes vulgos ativistas, estariam melhores representados em uma aula de sociologia, história ou economia.  O mundo atual já não tem espaço para minorias radicais, as quais, em defesa de seus interesses carentes de fundamentação acabam por prejudicar a maioria.</p>
<p>Hoje atuo como professor em uma renomada universidade particular. Abordando o assunto em sala de aula, pude sentir que grande parte mal teve tempo para analisá-la. Preocupações talvez consideradas pequenas pelos manifestantes da USP, tais como chegar na hora ao trabalho, pegar o ônibus, o trem e o metrô, pagar as contas da universidade, estudar outras línguas e passar de semestre, estão na pauta do dia. </p>
<p>Juro que senti um pouco de egoísmo e alienação com relação à participação aos movimentos estudantis, porém me dei como vencido quando vi estudantes lutando por uma causa como o “baseado da paz”, incomodando, depredando e denegrindo a imagem da universidade que tanto batalhei para entrar. Creio que isso sim, seja exemplo de egoísmo coletivo.</p>


<p>Não há artigos relacionados.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Aumento do IPI: o despreparo do governo</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Oct 2011 18:07:18 +0000</pubDate>
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A decisão do Superior Tribunal Federal suspendendo o aumento do IPI para carros importados até dezembro, confunde, atrapalha e em nada ajuda a imagem do Brasil perante os investidores internacionais &#8211; os quais sem regras claras colocariam o país abaixo da atual 126ª posição, obtida em pesquisa do Banco Mundial denominada “Doing Business in a [...]


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<p>A decisão do Superior Tribunal Federal suspendendo o aumento do IPI para carros importados até dezembro, confunde, atrapalha e em nada ajuda a imagem do Brasil perante os investidores internacionais &#8211; os quais sem regras claras colocariam o país abaixo da atual 126ª posição, obtida em pesquisa do Banco Mundial denominada “Doing Business in a More Transparent World”, cujo título se explica por si. Uganda, Bangladesh, Etiópia, Quênia, Jamaica e Kuwait estão à frente. Haiti, Timor Leste, Iraque e Afeganistão talvez nos ultrapassem em um futuro próximo.</p>
<p>Trago como exemplo paralelo as políticas das empresas, as quais tais como as diretrizes governamentais, precisam ser claras, transparentes e coerentes, sejam elas aplicadas a clientes, parceiros ou fornecedores. Os mais velhos talvez já tenham experimentado a sensação de trocar uma empresa com planejamento de longo prazo, processos e métodos, por outra no estilo feira livre ou banca de pastéis, sobre as quais valem algumas palavras e causos.</p>
<p>Imperam nestas companhias o improviso e o jogo de cintura em promoções realizadas a toque de caixa, sempre a partir da segunda metade do mês. Com base no desespero para cumprir as quotas de vendas mal planejadas, lançam mão de descontos por volume para faturarem até o último dia do mês, o qual invariavelmente mais parece um campo de batalha.</p>
<p>Vencida a guerra é hora de contar os mortos e feridos. Altos níveis de estoques nos parceiros, inadimplência, baixa rentabilidade e eficiência fabril, são alguns dos aspectos visíveis. A primeira metade do mês é dedicada para ajudar os parceiros a escoarem os produtos colocados forçadamente pelo próprio fabricante, os quais não raro, disponibilizam mais promoções e descontos, prejudicando a já sofrida margem.</p>
<p>Uma analogia com a máquina de escrever compararia um mês com uma linha. Ao final do ano, doze linhas escritas da mesma maneira, voltando o carro todo o dia 30.<br />
Este ciclo acaba por contaminar o canal de distribuição, o qual espera sempre por melhores condições, pressionado o fabricante em troca de descontos, programas e subsídios para poder vender. Impossível pensar em oferecer valor neste cenário, cuja negociação é sempre pautada no menor preço e no maior prazo. Credibilidade, respeito, confiança e imagem são itens que em geral passam longe destas empresas, nas quais vale a máxima: o melhor negócio é sempre o próximo.</p>
<p>Empresas que ultrapassaram este estágio conseguem planejar em longo prazo, estabelecendo e mantendo políticas e regras de negócio que orientam, sustentam e coíbem a prática da feira livre, agindo com rigor e firmeza com seus parceiros, quando necessário. Quebrar este ciclo leva tempo, haja vista é necessário demonstrar a consistência da política, através de inovações, eficiência, ganhos de escala e margens para os envolvidos.</p>
<p>Não obstante a suspensão do IPI consideraria que o estrago já foi feito. Concordo que a decisão tem objetivos nobres, tais como preservar empregos e investimentos das indústrias locais, assim como entendo que outros países aplicam esta prática com frequência. Coloco em questionamento o modo apressado e abrupto com que foi implantada, claramente com base na pressão dos maiores fabricantes.</p>
<p>Faltaram ao governo consistência, firmeza, coerência e visão de longo prazo, avaliando as reais causas da perda de competitividade da indústria. Custo Brasil, alta carga tributária, logística precária e encargos trabalhistas não podem ser desculpas para que o consumidor tenha menos opções de escolha. Concluo lembrando que nossa presidente esteve há alguns meses atrás em solo chinês, distribuindo benefícios e subsídios para que empresários trouxessem suas plantas ao país. Mais contraditório impossível.</p>


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		<title>Aumento do IPI: ganhos ou perdas para o mercado interno?</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Oct 2011 18:48:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Morita</dc:creator>
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Após a decisão do governo em aumentar o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para automóveis importados, principalmente os das montadoras chinesas, fez com que surgissem fortes discussões em torno do mercado interno sobre a nova lei. Como professor de planejamento estratégico, o aumento na taxa do IPI foi um prato cheio para a análise competitiva [...]


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<p>Após a decisão do governo em aumentar o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para automóveis importados, principalmente os das montadoras chinesas, fez com que surgissem fortes discussões em torno do mercado interno sobre a nova lei. Como professor de planejamento estratégico, o aumento na taxa do IPI foi um prato cheio para a análise competitiva do setor. </p>
<p>Algumas perguntas do tipo, de que maneira a medida afeta a cadeia de valor da indústria? Será que o discurso sobre proteção de empregos é consistente? Como ficarão os consumidores em termos de opções? As montadoras desistirão de se instalar no país ou isto é mais um estímulo? São questões interessantes, as quais podem ser analisadas com o modelo das cinco forças do guru Michael Porter. Comecemos por quem iniciou a briga, ou seja, os concorrentes.</p>
<p>Concorrentes: aqui podemos fazer uma divisão entre montadoras e importadoras. Não obstante algumas montadoras também importarem, o conflito de interesses é bastante claro. De um lado, empresas com linhas de montagem de fato instaladas, enquanto de outro as importadoras, as quais se beneficiaram do período de dólar baixo e alíquotas reduzidas de IPI. Bem representadas por sua associação e com forte lobby junto ao governo, venceram as primeiras, as quais representam 70% do mercado brasileiro. </p>
<p>Fornecedores: considerando as montadoras instaladas, a cadeia de valor da indústria automobilística é bastante longa e extensa. Em primeiro lugar os sistemistas, fornecedores diretos instalados próximos ou muitas vezes dentro da própria montadora. Estes por sua vez têm uma série de outros fornecedores e subfornecedores de peças para montarem seus sistemas. Sobre este prisma, manter a competitividade da indústria nacional irá poupar dezenas de milhares de empregos em toda a cadeia.</p>
<p>Barreiras de entrada: o imposto de importação tinha como destino certo dificultar a entrada de veículos importados ao Brasil. Com uma maior taxa, seus preços tornam-se menos competitivos, deixando a briga menos desleal sob o ponto de vista das empresas locais. Os afetados têm nome e sobrenome, composto pelas empresas chinesas com ofertas de baixo custo, uma vez que os importados de alto valor são menos sensíveis a preços.</p>
<p>Produtos substitutos: os veículos chineses estavam na verdade, atuando como produtos substitutos às marcas nacionais populares. Com os argumentos de vendas baseados em preços baixos mais o atraente pacote de benefícios, estavam começando a angariar uma parcela da população, haja vista o número crescente de emplacamentos, a fila de espera em alguns casos e os modelos cada vez mais comuns nas ruas. Continuar crescendo seria a tendência natural.</p>
<p>Clientes: creio que a maior incógnita nesta equação seja o cliente, o qual não foi em nenhum momento, consultado sobre o aumento do IPI para veículos importados. Acredito que muitos tenham até se surpreendido, principalmente aqueles que compraram ou estavam em negociação para adquiri-los. A montadora conseguirá honrar os preços praticados? As peças de reposição também sofrerão aumentos? São perguntas que ainda levarão algum tempo para ser respondidas.</p>
<p>Enfim, a indústria automobilística volta a ser dominada pelos grandes players como de costume. Em defesa, milhares de empregos, base instalada e altos investimentos, justificados através da análise de Porter. Aos consumidores, interessa saber se a guerra de preços e a oferta de itens adicionais, iniciada quando da chegada para valer dos chineses, irá permanecer. Só o tempo dirá se os preços aumentarão, ou se seremos obrigados a pagar até pelo espelho retrovisor do passageiro. Aguardemos os próximos capítulos.</p>


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		<title>A lei do couvert: quem sairá ganhando?</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Sep 2011 18:00:20 +0000</pubDate>
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O assunto mais comentado nas mesas de bares e restaurantes em São Paulo é a lei do couvert, assinada pelo governador Geraldo Alckmin na semana passada. Para quem não é morador do estado paulista estou me referindo àquela pequena cesta, composta de pães, torradas e da boa e velha manteiga, a qual sacia nossa fome [...]


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<p>O assunto mais comentado nas mesas de bares e restaurantes em São Paulo é a lei do couvert, assinada pelo governador Geraldo Alckmin na semana passada. Para quem não é morador do estado paulista estou me referindo àquela pequena cesta, composta de pães, torradas e da boa e velha manteiga, a qual sacia nossa fome antes do prato principal. Agora antes de aterrissar em nossa mesa, o restaurante deverá informar o preço e sua composição, servindo-o apenas quando solicitado, a não ser que seja gratuito. Caso a regra seja descumprida, o cliente não precisará pagá-lo.<br />
Creio que muitas vezes você já tenha se surpreendido negativamente com o couvert, ao olhar o valor da conta ao final da refeição. O valor cobrado, em geral individualmente, daria para comprar pão e manteiga para um mês em sua casa. Somado ao café expresso e as bebidas, não raro ultrapassam metade do valor da conta. Faço aqui uma ressalva a alguns poucos restaurantes, os quais inovam no serviço, oferecendo verdadeiras iguarias, muitas vezes melhores até que o prato principal. Listemos algumas situações de saia justa vividas pelos clientes.<br />
a)      Pode comer que é de graça: seja por razão de dieta, hábitos alimentares ou critérios econômicos, você educadamente rejeita o couvert, o qual chega à mesa antes mesmo que você possa abrir o cardápio. O garçom então, com seu ar de superioridade informa: pode comer que é de graça, supondo sua situação de penúria financeira, literalmente arremessando-o à mesa. Mais delicado seria perguntar se o deseja, ou ainda, aguardar que você o faça.<br />
b)      Só pagando: com muita fome, você aceita o couvert, traçando-o em poucos minutos. O garçom, acompanhando sua luta com a faca e a manteiga, permanece como um dois de paus ao lado da mesa, mesmo vendo a cesta vazia. Ousado e ainda faminto, solicito uma reposição do pão, já que ainda há um pouco de manteiga. Sem mover um músculo, escuto a frase: só pagando. Resignado e um pouco encabulado por ter perguntado, aguardo o prato principal enquanto brinco com meu telefone celular.<br />
c)       Sentou, sorriu, a conta dividiu: hora do almoço, toda a turma do escritório decide comemorar os resultados de vendas. Os jovens analistas e estagiários se engalfinham por alguns pedaços de pão, enquanto as executivas miram com desdém, fazendo as contas de quantos minutos necessitariam na esteira para queimar uma fatia. Chegada a conta há sempre um metódico que a estuda e avalia, fazendo a divisão per capita, a qual invariavelmente inclui a entrada, mesmo para as moças que o rejeitaram. Em geral a máxima, sentou, sorriu, a conta dividiu, é válida para o couvert. Com a nova lei, só pagará quem efetivamente comer.<br />
d)      Melhor não pedir: já provei algumas entradas de dar água na boca, literalmente. Vegetais frescos, cortados com precisão e repousados em gelo, pequenas entradas preparadas com cuidado, combinações de patês e molhos que vão muito além da sardela e da alichela. Como manda a boa educação, costumam vir em pequenas quantidades, as quais só de olhar já acabam. Em geral restritos aos restaurantes mais refinados, vocês se entreolham e decidem: melhor não pedir. Tamanho é o arrependimento ao saber que o valor era fixo, independentemente da quantidade.<br />
Boa para quem come fora, porém indigesta aos donos de bares e restaurantes, os quais deveriam contar no final do mês para fechar suas contas. Sem saída, terão que se adaptar as novas regras, utilizando-se de criatividade, já que poucos clientes irão aceitar embuti-lo no preço do prato ou ainda do já caro café e sobremesa. Acredito também que em poucos meses outros estados a adotarão, melhorando o serviço prestado ao consumidor.<br />
Rezo ainda para que chegue o dia em que vereadores, deputados e senadores tenham o mesmo senso de justiça, rigor e disciplina ao criar ou aumentar impostos, tarifas ou contribuições, não apenas impondo, mas solicitando permissão e informando sua utilização e destino. Pressionados, teriam que conseguir receitas de outras fontes, cortando despesas, reavaliando processos ou punindo aqueles que as desviam. Mais fácil, porém, é criar novos couverts e entradas, contradizendo a lei recém-implantada.</p>


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		<pubDate>Fri, 17 Jun 2011 19:57:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Morita</dc:creator>
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Termina mais um ciclo de Palocci no governo &#8211; o que não garante que seja o último. Como o lendário pássaro grego, fênix, sua capacidade de ressurgir das próprias cinzas é impressionante. Mitologia grega à parte, o discurso de posse proferido pela agora ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, reforça o lado gerencial do atual [...]


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<p>Termina mais um ciclo de Palocci no governo &#8211; o que não garante que seja o último. Como o lendário pássaro grego, fênix, sua capacidade de ressurgir das próprias cinzas é impressionante. Mitologia grega à parte, o discurso de posse proferido pela agora ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, reforça o lado gerencial do atual governo. A definição de funções, declarada pela ex-senadora dá o tom: fixar metas, acompanhar projetos e cobrar resultados &#8211; postura que muito se assemelha à própria presidente enquanto ocupante da mesma cadeira. Corre a boca pequena que Gleisi será a Dilma da Dilma, devido à similaridade no modo de gestão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nada tenho contra o perfil administrativo, até porque esta foi minha formação. Há, todavia, uma diferença abissal entre um bom gerente ou gestor e o líder verdadeiro, perfil que se espera de alguém dirigindo uma grande empresa ou ainda uma nação. Fayol e a teoria clássica da administração listaram no início do século passado as funções de um gerente: planejar, organizar, controlar, coordenar e comandar, gerindo e alocando os recursos da melhor maneira possível. Já o líder deve propagar suas ideias e ideais em nível macro, motivando e inspirando funcionários, fornecedores, clientes, acionistas, ministros, senadores e deputados.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A teoria neoclássica, surgida a partir da década de cinquenta nos Estados Unidos em virtude de mercados mais competitivos e do maior grau de exigência dos consumidores, fez com que as empresas tivessem que se preocupar com conceitos como eficiência e eficácia, criando terreno fértil para a Administração por Objetivos ou APO, teorizada pelo guru Peter Drucker e amplamente utilizada até os dias atuais. A APO defende a existência de três níveis de objetivos: organizacionais, departamentais e operacionais, descritos a seguir.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Organizacionais:</strong> são os macro objetivos, em geral de longo prazo e grande amplitude, influenciando a empresa como um todo. Confundem-se muitas vezes com a visão e a missão da companhia. Preferencialmente simples e de fácil compreensão, devem ser apregoados pelo líder em todas as oportunidades possíveis. Uma boa dica é traduzi-los em frases de efeito, números ou gráficos, os quais ajudarão a fixá-los e torná-los mais tangíveis para toda a organização.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Departamentais:</strong> como o próprio nome sugere, são os objetivos dos departamentos ou ministérios, os quais devem ser construídos em alinhamento com os organizacionais. Em geral de médio prazo, têm como características a fixação de metas, o acompanhamento do realizado<em> versus</em> previsto, a cobrança por resultados e a eventual revisão, quando necessário. Gestores e gerentes pragmáticos têm um papel importante neste processo, garantindo que o todo não seja prejudicado pela soma das partes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Operacionais:</strong> refere-se à execução das metas departamentais, através de ações específicas e pontuais. Colaboradores dedicados e motivados serão aqueles que farão a diferença aos clientes, sejam empresas, pessoas físicas ou cidadãos necessitando de serviços públicos. É essencial nesta etapa criar e simplificar procedimentos e processos, evitando ao mesmo tempo a burocracia e o desvio de atenção e recursos, garantindo assim um serviço ou produto de qualidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Creio que já tenha escutado a história do excelente técnico ou vendedor que se tornou um gerente mediano. Falta de habilidade em gerenciar pessoas e paixão pela pesquisa, estão entre as prováveis causas. Algumas empresas já se ocuparam sobre o tema, criando estruturas técnicas e gerenciais distintas, evitando assim a fuga de talentos. Preocupação semelhante ocorre com as questões de formação de lideranças e processos sucessórios, de maneira que se possa garantir a continuidade dos negócios em casos de aposentadoria, desligamento ou transferências.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Moldar gestores e líderes é tarefa árdua, a qual demanda tempo e dedicação aos envolvidos. Imprevistos e acidentes de percurso podem ocorrer, nos quais há a necessidade de se antecipar ou queimar etapas, promovendo pessoas ainda não totalmente aptas para o exercício de determinado cargo ou função. Além da curva de aprendizado da nova atividade, o profissional terá que desenvolver habilidades não técnicas, tais como negociação, planejamento, visão de longo prazo, resolução de conflitos, comunicação e gerenciamento de pessoas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div>
<p>Enfim, muito se elogiou a presidente por seu perfil administrativo e gerencial em seus primeiros cem dias de governo. Importantes, porém menos essenciais a um líder que as habilidades interpessoais e de relacionamento, as quais fazem parte de seu dia a dia. Desejo boa sorte à nova ministra e que a fixação de metas, o acompanhamento das atividades e a cobrança de resultados, fiquem na Casa Civil &#8211; distanciando a presidente das decisões pertencentes a gerentes e gestores para que fique livre para efetivamente liderar o país.</p>
</div>


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		<title>União homossexual e o mundo dos negócios</title>
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		<pubDate>Thu, 19 May 2011 13:44:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Morita</dc:creator>
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A decisão histórica do Supremo Tribunal Federal que reconhecendo a união estável entre homossexuais trouxe, como todo assunto polêmico, críticas e comemorações, seja pela maneira que foi instaurada ou pelo conteúdo de sua matéria. O resultado corrobora as informações colhidas no Censo 2010, onde cerca de trinta mil casais declararam-se homossexuais. Apesar da euforia, muito [...]


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<p>A decisão histórica do Supremo Tribunal Federal que reconhecendo a união estável entre homossexuais trouxe, como todo assunto polêmico, críticas e comemorações, seja pela maneira que foi instaurada ou pelo conteúdo de sua matéria. O resultado corrobora as informações colhidas no Censo 2010, onde cerca de trinta mil casais declararam-se homossexuais. Apesar da euforia, muito ainda deverá ser feito para diminuir o preconceito velado, existentes na sociedade e na vida corporativa, só para citar alguns exemplos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na mitologia e na Grécia Antiga, o livre exercício da sexualidade era verdadeiro privilégio dos bem-nascidos, fazia parte do cotidiano de deuses, reis e heróis. A bissexualidade estava inserida no cotidiano, sendo que a heterossexulidade era voltada principalmente a reprodução. Já na Roma antiga, o homossexualismo era visto como algo natural, ou seja, no mesmo nível das relações entre casais, amantes ou de senhor e escravos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A origem da palavra gay surge da expressão inglesa, oriunda do termo <em>“gai”</em>, advinda do francês arcaico, utilizada para designar uma pessoa espontânea, alegre, entusiasmente e feliz. Podendo ser encontrada nesse sentido em diversas literaturas americanas, sobretudo as anteriores a década de 20. A princípio pejorativa, o termo passou a ser utilizado pelos próprios homossexuais como expressão de sua autodeterminação.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Voltemos ao Brasil, o qual começa a assisitir a partir da década de noventa, a uma divulgação mais ampla nos meios de comunicação de massa acerca da diversidade sexual. Novelas, filmes, campanhas publicitárias, mercado editorial e internet. Foi também em noventa e sete que se realizou a primeira parada gay em São Paulo, a qual segundo o Guiness Book foi considerada a maior do gênero no mundo, em sua edição de 2006.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Uma pesquisa foi realizada pelo Data Folha durante a 9ª Parada Gay de São Paulo, confirmando a hipótese da maior escolaridade e renda média. A amostra, a qual pode ser considerada como representativa do universo GLBT, demonstra que 50% possuem nível superior e 20% ganham acima de 5.200 reais. A mesma pesquisa compara com a população ativa da cidade de São Paulo, cujos percentuais são respectivamente 14% e 3%, demonstrando a disparidade entre os grupos analisados.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Como em outros segmentos da economia americana, este mercado é bastante robusto, movimentando algo como US$ 54 bilhões em produtos e principalmente serviços, em especial o setor de turismo com cruzeiros e hotéis exclusivos. Um dado interessante da ABRAT – associação de turismo especializada no público GLS, demonstra que o percentual de americanos que viajam para o exterior é de 9% entre os heterossexuais, número que explode para 45% entre os gays, comprovando o potencial de consumo deste mercado.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>As mudanças sociais e econômicas oriundas da posição dos ministros poderão ser imensas. A legalização dos relacionamentos trará a possibilidade de novas configurações familiares, muito além da retratada nos adesivos colados nas traseiras dos veículos. Nesta esteira, oportunidades imensas em todos os setores virão. Construção civil, comércio, serviços, entretenimento e turismo são alguns dos segmentos que poderão se aproveitar ainda mais deste boom, oferecendo novos produtos e ofertas a este exigente público.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Identificar seus gostos e necessidades, adaptar e criar produtos e serviços, treinar seus funcionários e integrar seus clientes são apenas alguns dos desafios apresentados às empresas e empresários. Negar sua existência ou protelar as estratégias e ações, assim como fez o Congresso, será no mínimo imprudente a saúde dos negócios, considerando-se seu potencial atual e futuro de consumo.</p>
<p>&nbsp;</p>


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		<title>Censo deve ser utilizado para estratégias de negócio</title>
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		<pubDate>Mon, 02 May 2011 18:37:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Morita</dc:creator>
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Ainda lembro quando jovem, da curiosidade que nutria sobre os resultados do Censo, sua grandiosidade, metodologia e análise de resultados. Tinha um real interesse pela geografia, porém decidi seguir por outros caminhos, haja vista o estreito campo profissional existente. Os tempos se passaram, e hoje analiso seus dados sobre o prisma da estratégia, ou seja, [...]


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<p>Ainda lembro quando jovem, da curiosidade que nutria sobre os resultados do Censo, sua grandiosidade, metodologia e análise de resultados. Tinha um real interesse pela geografia, porém decidi seguir por outros caminhos, haja vista o estreito campo profissional existente. Os tempos se passaram, e hoje analiso seus dados sobre o prisma da estratégia, ou seja, de que maneira, governantes, empresários e executivos podem aproveitá-los, gerando vantagens competitivas duradouras.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A última versão ocorrida ano passado trouxe algumas novidades, tais como a coleta eletrônica de dados e a inclusão de algumas questões, tais como: união entre pessoas do mesmo sexo, computadores domiciliares com acesso à internet e acesso a programas de transferência de renda do governo, necessárias devido às políticas governamentais, a tecnologia e as mudanças comportamentais da sociedade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os grandes números demonstram um país com mais mulheres que homens em algumas localidades, predominantemente urbano e crescente nas regiões Norte e Centro-Oeste devido às ondas migratórias, provocadas pela mineração e as grandes obras, porém ainda analfabeto e carente em saneamento básico, demonstrando algumas mazelas de país de terceiro mundo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Voltando a estratégia, alguns indicadores podem ser de extrema importância, tais como: (a) aumento do número de pessoas morando sozinhas, (b) crescimento do percentual de idosos e (c) o número de casais homossexuais declarados, compondo o material necessário para o que denominamos análise do ambiente. Vejamos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(a)     <em>Sete milhões de solitários</em>: este é o número de domicílios habitados por apenas uma pessoa. Vale salientar que 46% deste público têm entre 30 e 59 anos, ou seja, são considerados como parte da população economicamente ativa. Solteiros, descasados ou viúvos, compartilham algumas necessidades comuns a quem vive sozinho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Visite um supermercado e perceba que algumas marcas e redes, já se adaptaram a este novo filão. Embalagens individuais, porções menores, refeições saborosas e prontas que vão muito além da pizza e do frango assado. Conveniência, rapidez e praticidade são itens extremamente valorizados, trazendo oportunidades na área de serviços.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Lavar a roupa, efetuar pequenos reparos, levar o cachorro para passear, fazer compras e ginástica de madrugada. Empresários podem se aproveitar desta demanda, oferecendo soluções que facilitem a vida destes solitários. Serviços de leva &amp; traz, passeador de cachorros, lava rápido, lavanderias, supermercados, padarias e academias 24 horas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(b)     <em>Um país cada vez mais grisalho</em>: o percentual de idosos, população com idade superior a 65 anos, já supera o de crianças de zero a quatro anos, comprovando a mudança do desenho da pirâmide etária. Apesar da melhoria na qualidade de vida, esta é uma etapa que requer alguns cuidados especiais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não obstante a descoberta deste mercado por alguns setores, a oferta de serviços e produtos é ainda incipiente, quando comparada com nações como Japão, Estados Unidos e Alemanha. As empresas e serviços em geral trabalham com a questão preço e promoção, adaptando o portfólio atual de produtos para atendê-los.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Alimentação mais equilibrada e balanceada, produtos com instruções mais legíveis, roupas e acessórios especialmente desenhados, trocadores mais espaçosos, vendedores e atendentes treinados são algumas das oportunidades que somam as já existentes: assistência médica domiciliar, fisioterapia, massagens, cursos de línguas e informática, universidades da melhor idade, empréstimos e viagens.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(c)     <em>60 mil casais homossexuais</em>: a capital portenha Buenos Aires, pode ser considerada um ótimo exemplo de exploração deste nicho de mercado. Sua vibrante vida noturna, a oferta de bares e restaurantes e a recepção de eventos têm feito com que mais de meio milhão de homossexuais a visitem anualmente, despejando uma quantidade significativa de dólares e euros. Em geral bem empregados e sem filhos, este exigente público costuma gastar em viagens, entretenimento e cultura. A cidade de São Paulo tem se beneficiado da já tradicional parada gay, a qual movimenta milhões de reais em seu circuito.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Desta maneira, sugiro que governantes, empresários e executivos passem a olhar com mais carinho os dados divulgados pelo IBGE, não apenas como manchete dos jornais, mas como informações de negócios; as quais cruzadas com outros dados secundários, pesquisas e o próprio conhecimento de mercado, podem trazer oportunidades importantes e interessantes, mesmo para quem a geografia nunca passou de mais uma matéria obrigatória nos bancos escolares.</p>


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		<title>O que aprender com a tragédia do Rio de Janeiro</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Jan 2011 16:49:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Morita</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A recente tragédia ocorrida na região Serrana do Rio de Janeiro trouxe à tona a falta de planejamento e recursos - físicos e materiais - das autoridades locais e órgãos responsáveis pela remoção e atendimento às vítimas. As cenas, fortes e chocantes, mostram voluntários desesperados na tentativa de salvar vítimas presas em escombros. As ferramentas, quando existem, consistem em pá e picaretas improvisadas, utilizadas em conjunto com mãos calejadas e sujas.


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<p style="text-align: justify;">A recente tragédia ocorrida na região Serrana do Rio de Janeiro trouxe à tona a falta de planejamento e recursos &#8211; físicos e materiais &#8211; das autoridades locais e órgãos responsáveis pela remoção e atendimento às vítimas. As cenas, fortes e chocantes, mostram voluntários desesperados na tentativa de salvar vítimas presas em escombros. As ferramentas, quando existem, consistem em pá e picaretas improvisadas, utilizadas em conjunto com mãos calejadas e sujas.</p>
<p style="text-align: justify;">Não obstante os céticos de plantão, os quais se utilizam de estatísticas para demonstrar que acidentes climáticos são mera coincidência, é fato que tragédias têm assolado o mundo com frequência e violência cada vez maior. Terremotos, tsunamis, secas avassaladoras, nevascas, vulcões, enchentes ou uma combinação dos fatores listados, atingem países ricos, pobres e em desenvolvimento sem distinção.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma explicação para tal fenômeno talvez esteja no livro homônimo do jornalista Thomas Friedman, o qual apregoa que a terra está cada vez mais quente, plana e lotada. Conforme o autor, a temperatura tem subido rapidamente após os anos 50, consequência da industrialização e aumento no consumo.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar da queda na natalidade, poderemos chegar a nove bilhões de habitantes, agregando-se mais três bilhões ao contingente atual &#8211; a maioria dos quais em regiões com baixos índices de desenvolvimento. O conceito plana é explicado como a saída da linha da pobreza de bilhões de habitantes, os quais inseridos na classe média tornam-se ávidos consumidores, demandando por mais bens e serviços, realimentando o ciclo energia, industrialização e efeito estufa.</p>
<p style="text-align: justify;">Este conflito de interesses entre clima, desenvolvimento e economia, tem feito com que governantes não cheguem a um acordo nas recentes discussões sobre o tema, tais a COP15 em Copenhague e a COP16 em Cancun.</p>
<p style="text-align: justify;">A ONU já antevia este cenário através da conferência mundial para redução de desastres, realizada em 2005 em Hyogo, no Japão, na qual foram traçadas linhas gerais para contê-los, tais como: (a) garantir que a redução de desastres seja uma prioridade nacional e local, (b) identificar, avaliar e monitorar as áreas com risco de desastre, melhorando o sistema de alerta à população e (c) utilizar o conhecimento, educação e inovação, criando uma cultura de segurança em todos os níveis.</p>
<p style="text-align: justify;">Creio que uma análise mais crítica não seria necessária para avaliar que nenhum dos tópicos foi implantado, o que pode ser corroborado por um recente relatório enviado pela Secretaria Nacional de Defesa Civil à ONU, demonstrando a fragilidade com que se encontram os órgãos que deveriam zelar por nossa segurança e conforto nos momentos mais difíceis.</p>
<p style="text-align: justify;">Traçando um paralelo, as empresas se utilizam de ferramentas para análise de cenários, as quais auxiliam na tomada de decisões em momentos de incertezas. O primeiro item avaliado é o impacto nos negócios, elencando aquelas que merecem um investimento em coleta de informações e análises profundas. O segundo item é a possibilidade de ocorrência da incerteza. Em alguns casos, a eventualidade é tão baixa ou remota que não valeria a pena gastar recursos para analisá-la.</p>
<p style="text-align: justify;">As incertezas são então classificadas em quatro quadrantes, conforme o impacto e a possibilidade de ocorrência: (a) baixa probabilidade e impacto, (b) alta probabilidade e baixo impacto, (c) alta probabilidade e baixo impacto e finalmente o pior cenário (d) alta probabilidade e impacto.</p>
<p style="text-align: justify;">Diversas empresas líderes de mercado naufragaram ou viram seus negócios minguarem por não criarem planos de contingência em cenários pessimistas. General Motoros, Kodak, Polaroid, Motorola são alguns dos exemplos recentes. Talvez o carnaval atrasado este ano faça com que medidas mais enérgicas sejam adotadas pelas autoridades competentes, uma vez que o efeito estufa, o protocolo de Hyogo e os cenários desoladores, demonstraram claramente a alta probabilidade e impacto que o clima pode causar.</p>


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		<title>Hora de pensar em 2014</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Jan 2011 16:30:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Morita</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>

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		<description><![CDATA[Apesar da pasmaceira dos primeiros dias do ano nas empresas e repartições públicas, o clima promete ser quente em Brasília desde já. O fato é que há muito trabalho a ser feito nos próximos quatro anos. Além do PAC social - vitrine dos primeiros dias de governo - obras deverão ser conduzidas em ritmo frenético nas doze cidades sede da Copa.


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<p style="text-align: justify;">Apesar da pasmaceira dos primeiros dias do ano nas empresas e repartições públicas, o clima promete ser quente em Brasília desde já. O fato é que há muito trabalho a ser feito nos próximos quatro anos. Além do PAC social &#8211; vitrine dos primeiros dias de governo &#8211; obras deverão ser conduzidas em ritmo frenético nas doze cidades sede da Copa.</p>
<p style="text-align: justify;">Estádios, aeroportos, rodovias, expansões das linhas de Metrô e hotéis são obras de ciclo longo e gerenciamento complexo, com prazos mínimos que devem ser respeitados. Creio que todos já tenham acompanhado ou sofrido na pele obras como túneis, corredores de ônibus ou construções de prédios. Trânsito, barulho, sofrimento e demora, muita demora.</p>
<p style="text-align: justify;">Projetos desta envergadura são compostos obrigatoriamente por três etapas: definição, planejamento e implantação.</p>
<p style="text-align: justify;">A primeira fase consiste em definir o escopo do trabalho, ou seja, o que será realizado, estimar os recursos &#8211; dinheiro, materiais e mão-de-obra &#8211; assim como o tempo necessário para seu término. É nesta fase ainda que os times que comporão o projeto são definidos, assim como a lista de atividades e o plano de recursos necessários. Uma vez validada, é hora de partir para o segundo estágio.</p>
<p style="text-align: justify;">O planejamento é a etapa na qual os recursos serão alocados, eventuais problemas e oportunidades avaliadas e cronogramas montados. Como em qualquer projeto, intempéries, greves, licenças, escassez de material e pessoal costumam ocorrer, atrasando os prazos previamente estabelecidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Enfim é hora de preparar a massa &#8211; misturando areia, cimento, pedra e água na etapa de implantação. Assentados os primeiros tijolos, inicia-se a fase de acompanhamento, verificando se o realizado está de acordo com o planejado e sugerindo modificações, caso necessário.</p>
<p style="text-align: justify;">A tríade escopo, recursos e tempo estão presentes em qualquer tipo de construção. Muitas vezes, atrasamos a obra ou construímos apenas parte do projeto, já que a falta de recursos é o item mais recorrente. Já as obras da Copa não poderão ser entregues parcialmente, nem tampouco após o apito inicial.</p>
<p style="text-align: justify;">A opção neste caso estará no aumento dos recursos públicos, através de compras emergenciais sem licitações e até superfaturamentos. A nós, torcedores, resta apenas cruzar os dedos para que as manchetes da época não estejam recheadas de escândalos sobre corrupção e desvios de dinheiro. Coisa que poderia ser facilmente evitada se todas essas etapas fossem cumpridas à risca.</p>


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		<title>Aeroportos: como melhorar a infra estrutura</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Jan 2011 12:48:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Morita</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[aeroportos]]></category>
		<category><![CDATA[infra estrutura]]></category>
		<category><![CDATA[infra-estrutura de aeroportos brasileiros]]></category>
		<category><![CDATA[serviço aéreo]]></category>

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		<description><![CDATA[Os próximos dias prometem ser de muita agitação aos que embarcarem em algum dos aeroportos brasileiros. Interconectados, não há como escapar do caos reinante em Guarulhos e Congonhas, os principais gargalos. Pensar em agradar os clientes é pura utopia nestes dias em que a zona de tolerância e as expectativas já estão para lá de negativas.


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<p style="text-align: justify;">Os próximos dias prometem ser de muita agitação aos que embarcarem em algum dos aeroportos brasileiros. Interconectados, não há como escapar do caos reinante em Guarulhos e Congonhas, os principais gargalos. Pensar em agradar os clientes é pura utopia nestes dias em que a zona de tolerância e as expectativas já estão para lá de negativas.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Chegar até o aeroporto, enfrentar as filas do check-in e do embarque, as demoras na decolagem e aterrissagem e finalmente conseguir pegar as malas nas poucas esteiras são tarefas que exigem um bom preparo físico e principalmente muita paciência.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Ao contrário da venda de produtos &#8211; nas quais é possível aumentar o estoque, contratar temporários ou entregá-los através de canais alternativos, tais como internet e pontos de vendas extras &#8211; uma operação aérea se enquadra na modalidade de serviços, cuja principal dificuldade está na capacidade de armazenamento para venda futura. Um assento perdido em um vôo nunca mais será recuperado, assim como um quarto em um hotel ou uma mesa em um restaurante. Negócios desta natureza tendem a sofrer mais acentuadamente com oscilações amplas de demanda.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Uma solução para as empresas do setor de serviços está na redefinição da capacidade produtiva, definida como o conjunto de instalações, equipamentos, mão de obra, recursos e infraestrutura. Vejamos.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">- <strong>Instalações físicas destinadas aos clientes:</strong> empresas podem decidir pela ampliação ou abertura de filiais e pontos de venda avançados &#8211; franquias, hospitais, lojas e hotéis &#8211; aumentando o número disponível de pontos de atendimento, leitos e refeições servidas.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>- Instalações físicas destinadas ao processamento ou armazenamento: </strong>contêineres, vagões, galpões e depósitos. As empresas têm utilizado a tecnologia para melhorar os prazos de entrega e serviços prestados aos clientes, tais como rastreamento e etiquetas de radiofrequência. O setor de cargas aéreas no país vive um momento delicado, com diversas empresas em situação precária.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>- Mão de obra:</strong> em setores menos especializados, contratar terceiros ou temporários é uma solução usual, o que não se aplica às empresas aéreas. Os salários oferecidos aos aeronautas são pouco atraentes, razão da emigração de pilotos brasileiros. Adicione os controladores de vôo &#8211; pilares do apagão de quatro anos atrás &#8211; cansados, estressados e mal remunerados.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Equipamentos físicos:</strong> investimentos em máquinas, equipamentos e sistemas são colocados nos planos de negócio das companhias, como forma de manter a competitividade frente à concorrência. Bastam algumas visitas aos aeroportos de classe mundial para confirmar que ainda estamos na idade da pedra.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Enfim, há diversas maneiras pelas quais o serviço prestado aos clientes pode ser melhorado, mesmo em épocas de aumento de demanda. Trabalhar a questão da capacidade produtiva é o primeiro passo &#8211; planejando, investindo em instalações, máquinas, equipamentos, tecnologia, treinamento, capacitação e motivação da mão de obra.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Apesar da complexidade do setor aéreo, é fato que os próximos natais serão épocas difíceis aos passageiros. Basta considerar projetos que não saem do papel, terminais de carga abarrotados, equipamentos obsoletos, baixos salários, condições precárias de trabalho, políticas e interferências governamentais. Tudo isso sem contar com o aumento da demanda, proveniente do maior poder aquisitivo da nova classe média. Copa do Mundo e Olimpíadas é melhor deixar para uma próxima discussão.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Em suma, o termo <em>lar doce lar</em>, nunca foi tão bem aplicado e utilizado como aos sofridos viajantes que chegam aos caóticos aeroportos brasileiros neste final de ano.</p>


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