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Os desafios empresariais de um final de trimestre

Para aqueles que trabalham em empresas de capital aberto, o mês de setembro, assim como março, junho e dezembro, costumam ser os mais atribulados, não devido à sazonalidade ou datas especiais, mas ao fato de que mais um trimestre se encerra e com ele, resultados financeiros serão publicados aos investidores, corroborando as previsões iniciais ou desagradando os analistas e acionistas. Em suma, prejuízos se refletirão em queda no valor das ações e lucros em sua valorização.

 

Imagine a situação. O presidente mundial de uma grande corporação se compromete com Wall Street a cumprir determinada meta trimestral. Logo nos primeiros dias convocará uma reunião na matriz com seu staff, vice-presidentes regionais da Ásia, Europa, China e Américas respectivamente. Apesar das caprichadas apresentações em Power Point justificando números mais modestos, cada um acaba levando para casa um quinhão maior do que o esperado, o que significará a inevitável pressão daqui a 90 dias.

 

Trazendo para mais perto, o responsável pela América Latina se reunirá com os gerentes gerais dos principais países da região, repassando as diretrizes e os objetivos. São Paulo, Buenos Aires, Santiago, Bogotá e Cidade do México serão os próximos palcos, descendo um pouco mais na hierarquia. Estabelecidas e definidas as novas metas, é hora de ir a campo, implantar as estratégias e ações definidas para cada território, batalhando pelos negócios e novos pedidos.

 

Para acompanhar a evolução das vendas, reuniões periódicas serão agendadas e relatórios solicitados, percorrendo desta vez o caminho inverso, ou seja, de baixo para cima. Os resultados consolidados subirão um degrau a cada nível hierárquico. São Paulo, Sudeste, Brasil, América Latina, Américas e Global. Como num quebra-cabeça, as partes se encaixarão para a formação do quadro total.

 

Historicamente a América Latina tem contribuído com um percentual em torno de 5% das vendas globais, respondendo o Brasil por metade destas vendas. Porém, com a crise europeia e o marasmo da economia americana, os países do chamado BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China – tem recebido atenção especial, o que se traduz em investimentos e cobranças por parte da matriz. Em poucas palavras, temos agora mais peças do quebra-cabeça para encaixar.

 

Os planos de vendas deste ano, construídos com base nos números do último biênio, consumo interno crescente e expectativas com a Copa e Olimpíada, acabaram por inflar as metas, criando em diversas indústrias uma lacuna considerável entre realizado e previsto, face à estagnação da economia brasileira nos últimos trimestres. Neste cenário, executivos precisarão se contentar com seus salários fixos, já que as metas e bonificações não serão atingidas e embolsadas.

 

A equação Wall Street = preço das ações + cotas globais – crise europeia + expectativa com o Brasil tem revertido à lógica do conflito da agência, definido como o confronto de interesses entre acionistas e gestores, quando os proprietários do capital não são aqueles que lidam com as questões do dia a dia nas empresas. Segundo a teoria, gestores costumam tomar decisões de curto prazo em benefício próprio, em detrimento de decisões estratégicas de médio prazo, defendidas pelos detentores do capital.

escrito por Marcos Morita

Marcos Morita

Marcos Morita é mestre em Administração de Empresas, professor da Universidade Mackenzie e professor tutor da FGV-RJ. Especialista em estratégias empresariais, é colunista, palestrante e consultor de negócios. Há mais de quinze anos atua como executivo em empresas multinacionais.

Sobre o Autor: Marcos Morita

Marcos Morita é mestre em Administração de Empresas, professor da Universidade Mackenzie e professor tutor da FGV-RJ. Especialista em estratégias empresariais, é colunista, palestrante e consultor de negócios. Há mais de quinze anos atua como executivo em empresas multinacionais.

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